Empresa

Nossa história

Início da década de 40. Naquele tempo, mesmo para as famílias mais abastadas, era difícil construir um quarto de banho confortável e com certo luxo, pois os materiais para tal finalidade eram importados: as porcelanas, da Inglaterra; os azulejos, de Portugal, Bélgica e Espanha. Na época, Francisco Salles Vicente de Azevedo, com 30 anos, preocupava-se em modernizar os processos da Céramus, empresa sediada no bairro do Belém da qual era presidente. No Brasil predominava a fabricação da cerâmica pó de pedra – material frágil e poroso. Informado sobre uma nova e revolucionária técnica aplicada nos Estados Unidos na fabricação de louça sanitária, viajou para aquele país. Entusiasmou-se com o uso dos fornos-túnel de queima contínua instalados na empresa visitada. No entanto, seu interesse voltou-se a Buenos Aires, local em que a Ferro Enamel fabricava a tal louça vitrificada que procurava, conhecida como “vítreous China”, material superior à faiança utilizada nos Estados Unidos. Na Argentina travou conhecimento com Gerry Hartford, o engenheiro responsável pela implantação do novo processo.

Francisco Salles Vicente de Azevedo, catedrático da Escola Politécnica, e Tácito de Toledo Lara, presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo e um dos fundadores do Instituto Racional de Organização do Trabalho – Idort, conheciam-se desde os bancos do Colégio D. Pedro II.

Entusiasmados com a tecnologia recém-criada, resolveram fundar uma empresa e aplicá-la. Assim, em 30 de dezembro de 1941, nascia a Porcelite Ltda., registrada no 2º tabelião de notas de São Paulo, sediado na Rua XV de Novembro. Com capital social de 3 mil contos de réis, as 3 mil ações da futura indústria foram divididas entre os doze sócios do projeto, pessoas das famílias Lara, Azevedo, Sampaio de Souza e alguns engenheiros, entre eles, Gerry Hartford. Naquele mesmo dia, definiram a primeira diretoria da empresa, com Francisco Salles e Tácito de Toledo, respectivamente ocupando a presidência e a vice-presidência.

Era chegado o momento de encontrar um terreno para construir a sede da empresa. Por estarem o Brás e a Mooca saturados, o interesse dos sócios voltou-se para o Tatuapé, região na qual existiam grandes glebas de terrenos vazios. Em 25 de fevereiro de 1942 a Porcelite compra uma área de 14.710 m2 entre as ruas Serra de Botucatu, Itapura e Serra de Bragança e nele edifica seus primeiros 3.500 m2. Em 1943 instalava seu primeiro forno com comprimento de 86 metros. No início de 1944, com 150 empregados treinados pelos próprios diretores, a empresa começa a produzir suas primeiras peças de louça vitrificada, usando massa composta de argila, quartzo, feldspato e caolin.

No início as pessoas não entendiam haver uma substancial diferença entre a louça vitrificada e o velho material usado nos sanitários antigos. Com o passar do tempo, mercê de sua superioridade, o novo produto acabou se impondo e as vendas aumentando. O incremento nas vendas criava um problema: o esmalte usado no acabamento das peças continha óxido de estanho, material de difícil aquisição em face da ocorrência da 2ª Guerra Mundial. A cota atribuída à Porcelite limitava a produção. A questão foi sanada quando os responsáveis pela empresa conseguiram produzir um novo tipo de esmalte que prescindia do uso daquela escassa matéria. Ao lado dessa conquista, outra inovação: o novo modelo de vaso sanitário de sifonagem interna. Em 1949, as 7.500 peças produzidas não conseguiam atender o mercado. Instalou-se novo forno de queima contínua que duplicou a produção, passando esta a 15.000 peças.

Um terceiro forno entra em operação dois anos depois e a conseqüência é imediata. Os 14.710 metros quadrados iniciais tornam-se insuficientes. Uma área contígua de 10.200 m² é adquirida, estendendo-se a área do terreno até a Rua Serra do Japi, ou seja, ao longo de todo o quarteirão.

Em 1952, com a efetiva participação dos diretores da Porcelite, criava-se a Associação Brasileira de Cerâmica. Francisco Salles esteve à frente também do Centro das Indústrias de São Paulo, do Sindicato da Indústria Cerâmica e da Faculdade de Engenharia Industrial – FEI.

Em 1959, a Celite inaugurava dois novos departamentos em setor do terreno recém-adquirido: o metalúrgico, passando a produzir os metais que acompanham os sanitários e o de preparação da massa para a produção das peças. Amigo pessoal do presidente Juscelino Kubitschek, Salles e seus pares resolvem instalar em área de 343 mil m², uma unidade da Celite no distrito industrial de Santa Luzia, distante 20 quilômetros de Belo Horizonte. Em 1968 essa unidade começava a produzir 25 mil peças mensais. Seis anos depois, com a instalação de mais dois fornos, a produção sobe para 90 mil peças.

Em 1982, a Celite resolve investir no mercado nordestino. Recusando incentivos fiscais da Sudene, compra todo o parque industrial da empresa Cerâmica Marano, na grande Recife, desembolsando Cr$ 430 milhões. Assim surgia a Celite Nordeste. Nessa unidade instala um forno totalmente computadorizado, na época o mais moderno instalado na América Latina.

Em 1988 a Celite ganha a concorrência para a construção da Vila Olímpica de Seul e exporta 1,5 milhão de peças para os Estados Unidos, Canadá e Europa.

Em seus áureos tempos, a Celite chegou a empregar em suas três unidades 2.500 empregados, correspondendo 400 à unidade do Tatuapé. Deteve por largo tempo 40% do mercado nacional, além de exportar seus produtos para diversos países, inclusive para os Estados Unidos.

Em 1996, após 55 anos de uma fulgurante trajetória, a Incepa – Indústria Cerâmica Paraná S/A adquiriu seu controle acionário. A unidade do Tatuapé foi desativada e demolidas as várias edificações de seu magnífico complexo industrial. Os 25.000 m² de sua área foram ocupados por uma loja do Supermercado Pão de Açúcar, uma praça pública central e um conjunto de prédios de apartamentos.

Francisco Salles Vicente de Azevedo, que faleceu em 1971, era casado com Maria Mercedes Vicente de Azevedo, sendo seus filhos: Marcelo Ruy Vicente de Azevedo e Miguy Azevedo de Mattos Pimenta. São filhos do primeiro casal: Ricardo e Fernando Freire Vicente de Azevedo e Patrícia Vicente de Azevedo Leme Ferreira.

A Porcelite ou Celite, sem dúvida alguma, foi uma das empresas cujas lembranças mais se aninharam no coração dos tatuapeenses. Todas as pessoas que nela atuaram falam da empresa com inusitado orgulho. Tem-se a impressão de que todos, diretores e trabalhadores, de alguma forma consideraram-se proprietários da Celite. Não só isso, se emocionam ao se referirem àqueles bons tempos.

Antonio Chiarotto Filho, que começou como office-boy e chegou a diretor, relembra saudoso do seu trabalho e dos seus companheiros da época.

Indalécio da Costa Arruda mantém carinhosamente guardada uma placa de prata oferecida por seus diretores e colegas por ocasião dos seus quarenta anos dedicados à empresa.

Milton Vital Grecchi relata em seu “Meus 56 anos no Tatuapé” um interessante assunto sobre a passagem de seu pai pela Celite. No jornalzinho interno da empresa, “Celite em notícias”, Adriano Vital Grecchi afirmava em 1968 que seu maior orgulho era ter sido promovido ao cargo de supervisor e trabalhar há 24 anos na Celite. Nascido em Altinópolis, ao chegar em São Paulo, Adriano empregou-se na Celite e dela somente saiu ao se aposentar.

Publicado originalmente em: http://gazetavirtual.com.br/celite-sa/

70 anos evoluindo sempre!

Nasce a Porcelite Ltda. Com capital social de 3 mil contos de réis, as 3 mil ações da futura indústria foram divididas entre os doze sócios do projeto. Naquele mesmo dia, definiram a primeira diretoria da empresa, com Francisco Salles e Tácito de Toledo, respectivamente ocupando a presidência e a vice-presidência. No ano seguinte, a Porcelite compra uma área de 14.710 m2 entre as ruas Serra de Botucatu, Itapura e Serra de Bragança e nele edifica seus primeiros 3.500 m2.

70 anos evoluindo sempre!

Com 150 empregados treinados pelos próprios diretores, a Porcelite começa a produzir suas primeiras peças de louça vitrificada, usando massa composta de argila, quartzo, feldspato e caolin.

70 anos evoluindo sempre!

As 7.500 peças produzidas não conseguiam mais atender ao mercado. Instalou-se novo forno de queima contínua que duplicou a produção, passando para 15 mil peças.

70 anos evoluindo sempre!

Os 14.710 m² iniciais tornam-se insuficientes. Uma área contígua de 10.200 m² é adquirida, estendendo-se a área do terreno até a Rua Serra do Japi, ou seja, ao longo de todo o quarteirão.

70 anos evoluindo sempre!

Com a efetiva participação dos diretores da Porcelite, criava-se a Associação Brasileira de Cerâmica. Francisco Salles esteve à frente também do Centro das Indústrias de São Paulo, do Sindicato da Indústria Cerâmica e da Faculdade de Engenharia Industrial – FEI.

70 anos evoluindo sempre!

A Celite inaugurava dois novos departamentos em setor do terreno recém-adquirido: o metalúrgico, passando a produzir os metais que acompanham os sanitários, e o de preparação da massa para a produção das peças.

70 anos evoluindo sempre!

A unidade da Celite no distrito industrial de Santa Luzia, que ocupa uma área de 343 mil m2 a 20 quilômetros de Belo Horizonte, começa a produzir 25 mil peças mensais.

70 anos evoluindo sempre!

A indústria de Santa Luzia ganha a instalação de mais dois fornos e a produção sobe para 90 mil peças.

70 anos evoluindo sempre!

A Celite decide investir no mercado nordestino. Recusando incentivos fiscais da Sudene, compra todo o parque industrial da empresa Cerâmica Marano, na grande Recife, desembolsando Cr$ 430 milhões. Assim surge a Celite Nordeste, com um forno totalmente computadorizado, na época, o mais moderno instalado na América Latina.

70 anos evoluindo sempre!

Após a crise econômica que se abateu sobre o país ao longo da década de 1980 a Celite começa a se recuperar e ganha a concorrência para a construção da Vila Olímpica de Seul, exportando 1,5 milhão de peças para Estados Unidos, Canadá e Europa.

70 anos evoluindo sempre!

Após 55 anos de uma fulgurante trajetória, a Incepa – Indústria Cerâmica Paraná S/A adquiriu seu controle acionário. A unidade do Tatuapé foi desativada e os 25 mil m² de sua área foram ocupados por uma loja do Supermercado Pão de Açúcar, uma praça pública central e um conjunto de prédios de apartamentos.